DAS ROSAS AS PÉTALAS
Espera.
Sabe que o tempo
Devolvera as rosas,
Assim como a praia
O mar
fala de beijá-la
na próxima onda.
Espera...
sabe que a brisa
não borrará as imprensões,
nem todas as cores
apressará uma tarde bela.
Ela espera...
com os faróis acesos no céu
refletindo sua inocência.
Ela espera...
sem saber,
que foi o esquecimento
quem das rosas
roubará as pétalas
uma tarde qualquer.
“En voz desmayada y baja”
del poeta
será presentado por
en la
Av. Corrientes 1743 (Centro Ciudad)
Queria que me acompanhasses
vida fora
como uma vela
que me descobrisse o mundo
mas situo-me no lado incerto
onde bate o vento
e só te posso ensinar
nomes de árvores
cujo fruto se colhe numa próxima estação
por onde os comboios estendem
silvos aflitos
( in: POETAS SEM QUALIDADES, Averno, nov. 2002)

SONETO DA DISTANTE AMADA
Esqueceste a nossa canção?
Segue amena, no turbilhão da noite
Ó ingrata, como pode? Como consegue?
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Se a poesia era quem regava nosso jardim
E nossos olhos, enfim, enxergavam além do dia
O que ninguém mais conseguia...
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Rodopiávamos como crianças... Lindos! Soltos!
Acariciando todos os sonhos que imaginávamos haver
Mas de repente, enregelados, perdidos...
Nos encontrávamos, sem um porquê.
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Ah! Distante amada e do meu olhar tão longe
A embrutecer toda a saudade dos nós sem fim
Na madrugada triste da noite fria
Que ainda gela, gela, dentro de mim!
Silvia Aida Catalán- Fundadora y Diretora Gral. de T.A.A.R- Argentina
ALGUÉM DENTRO DO POEMA
“Un día tomé entre mis manos tu rostro” Rainier María Rilke “Um dia tomei entre minhas mãos tua face” Rainier María Rilke
Poesia é você...
Quando respira com música à flor da pele,
É como se a espiga de trigo
Debulhasse o pão
Sempre se dando
naturalmente.
Amo a ternura de sua face
Assim como dorme, e torna-se
divindade pelas sombras das noites,
em que busco apaixonada
contemplar-te.
Nesta distância,
Não sei desde que tempo
É que só a brisa do vento,
Adormecida nuvem...em devaneios fica
Ouvindo versos.
Caminho...
Pés descalços
e braços mortos...
Acho que o amor, sozinho
nomeia-te desde o nascimento,
E agora, além intento,
ver-te com a luz de cada astro
atravessar nos traços
de minhas mãos...
Silvia Aida Catalán-
Libro "O Chamado Das MusasLibro: "O CHAMADO DAS MUSAS"
AVENIDA BRASIL
As estrelas não brilham no céu da cidade
Porque o asfalto não é azul!...
Um bisturi verde-e-amarelo
Rasgando os seios da cidade
Onde a manhã metálica
Se descortina aos nossos olhos.
Avenida Brasil:
O azáfama interurbano
Na têmpera do dia-a-dia
Avenida Brasil:
Uma procissão forjada em aço
Em louvor à escravidão
Ou uma sinfonia de buzinas
Ou um desfile de carnaval
Avenida Brasil.
Ë o Brasil na avenida,
Nas chaminés das fábricas
A fumaça
O cano-de-descarga
A massa operária
O Brasil expedido no ar
Avenida Brasil...
É mais Brasil que avenida
Alguma coisa louca
Que sobe e desce
que entra e sai
que vai e volta
Alguma coisa sem rumo.
Postes de luz em movimento
O azul o céu em movimento
Placas de sinalização passando aceleradas
E o atropelamento das fábricas...
Avenida Brasil,
O Brasil zumbido em nossos ouvidos
Como as sirenas das ambulâncias
O corpo de bombeiros
A polícia ...
Avenida Brasil
É mais uivo que Brasil
Uma penumbra de gemidos
A noite ofegante dos motéis
O amor –horário
De telefones e campainhas
Avenida Brasil é um Brasil em alta rotatividade.
O CHAMADO DAS MUSAS, PÔ-ÉTICA HUMANA:
O Enigma do Recheio- a arteterapia ao sabor da educação brasileira, de Vanda Lúcia da Costa
Salles ( Brasil) Silvia Aida Catalán (Argentina); além da palestra O EXERCÍCIO DA ARTE
COMO INSTRUMENTO PARA A RECUPERAÇÃO DOS VALORES NUM MUNDO
GLOBALIZADO EM CRISE, da Escritora Argentina Silvia Long-Ohni ( com doação de livros,
revistas acadêmicas e literárias e livros para os alunos participantes do livro pesquisa em São
Gonçalo),na AGLAC- ACADEMIA GONÇALENSE DE LETRAS, ARTES E CIÊNCIAS,
em 16/04/2009, às 17:30 horas. Com auspício do T.A.A.R-Argentina/Brasil.
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AUTORIDADES PRESENTES:
Salvador Mata e Silva – Presidente e poeta;
Maria Nelma Carvalho Braga – poeta;
Marcelo Jorge Pires Motta- poeta;
Silvia Aida Catalán – Diretora Geral. do T.A.A.R;
Edith Alvaro de Araujo Franco – poeta;
Oswaldo Luiz Ferreira – poeta e professor;
Elza Maria Pires – poeta;
Vanda Lúcia da Costa Salles – Assessora e Diretora no Brasil do T.A.A.R;
Fernando Felix Carvalho – Acadêmico e poeta;
Edson Oliveira dos Santos – poeta;
José Terra – Professor e poeta;
Silvia Estela Long-Ohni – Poeta e escritora Argentina;
Marina de Oliveira Dias – Poeta e historiadora;
Luiz Conceição da Costa Abranches – Acadêmico e poeta;
Antonio Carlos Rodrigues – poeta;
Rui Aniceto Nascimento – poeta;
Carmem Sulzer Brasil – poeta;
Fabian Rivero – poeta;
D. dos Anjos Ornellas – poeta;
Décio Machado- poeta;
Mônica Machado de Oliveira Sá – poeta;
Josiel Mattos – poeta;
Mauricio C. de Melo- Professor e poeta.
ADÉLIA PRADO – POETA DO BRASIL
DONA DOIDA
Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso
Com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
As poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
Decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
Trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, a riu de dona tão velha,
Com sombrinha infantil e coxas à mostra.
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
Meu marido ficou triste até a morte,
Eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.
Carlos Drummond de Andrade - Brasil
CANÇÃO AMIGA
Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça
todas as mães se reconheçam,
e que fale com dois olhos.
Caminho por uma rua
Que passa em muitos países.
Se não me veem, eu vejo
E saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
Como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
Dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
E adormecer as crianças.
( In Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973. p.221)
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
É todo mundo:
Outra parte é ninguém:
Fundo sem fundo.
Uma parte de mim
É multidão:
Outra parte estranheza
E solidão.
Uma parte de mim
Pesa, pondera:
Outra parte
Delira.
Uma parte de mim
Almoça e janta:
Outra parte
Se espanta.
Uma parte de mim
É permanente:
Outra parte
Se sabe de repente.
Uma parte de mim
É só vertigem:
Outra parte
Linguagem.
Traduzir uma parte
Na outra parte
- que é uma questão de vida ou morte –
será arte?
Thiago de Mello nació en Barreirinha, Brasil, en el corazón de la Selva Amazónica, en 1926
Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente) Thiago de Mello A Carlos Heitor Cony
Artigo IFica decretado que agora vale a verdade.agora vale a vida,e de mãos dadas,marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo IIFica decretado que todos os dias da semana,inclusive as terças-feiras mais cinzentas,têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo IIIFica decretado que, a partir deste instante,haverá girassóis em todas as janelas,que os girassóis terão direitoa abrir-se dentro da sombra;e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IVFica decretado que o homemnão precisará nunca maisduvidar do homem.Que o homem confiará no homemcomo a palmeira confia no vento,como o vento confia no ar,como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem confiará no homemcomo um menino confia em outro menino. Artigo VFica decretado que os homensestão livres do jugo da mentira.Nunca mais será preciso usara couraça do silêncionem a armadura de palavras.O homem se sentará à mesacom seu olhar limpoporque a verdade passará a ser servidaantes da sobremesa.
Artigo VIFica estabelecida, durante dez séculos,a prática sonhada pelo profeta Isaías,e o lobo e o cordeiro pastarão juntose a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VIIPor decreto irrevogável fica estabelecidoo reinado permanente da justiça e da claridade,e a alegria será uma bandeira generosapara sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIIIFica decretado que a maior dorsempre foi e será semprenão poder dar-se amor a quem se amae saber que é a águaque dá à planta o milagre da flor.
Artigo IXFica permitido que o pão de cada diatenha no homem o sinal de seu suor.Mas que sobretudo tenhasempre o quente sabor da ternura.
Artigo XFica permitido a qualquer pessoa,qualquer hora da vida,uso do traje branco.
Artigo XIFica decretado, por definição,que o homem é um animal que amae que por isso é belo,muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XIIDecreta-se que nada será obrigadonem proibido,tudo será permitido,inclusive brincar com os rinocerontese caminhar pelas tardescom uma imensa begônia na lapela. Parágrafo único:Só uma coisa fica proibida:amar sem amor.
Artigo XIIIFica decretado que o dinheironão poderá nunca mais compraro sol das manhãs vindouras.Expulso do grande baú do medo,o dinheiro se transformará em uma espada fraternalpara defender o direito de cantare a festa do dia que chegou.
Artigo FinalFica proibido o uso da palavra liberdade,a qual será suprimida dos dicionáriose do pântano enganoso das bocas.A partir deste instantea liberdade será algo vivo e transparentecomo um fogo ou um rio,e a sua morada será sempreo coração do homem. ( In: FAZ ESCURO MAS EU CANTO, pág. 60 )
MANOEL DE BARROS – POETA CONTEMPORÂNEO DO BRASIL
“ NO OSSO DA FALA DOS LOUCOS TÊM LÍRIOS “
- HOMENAGEM AOS SEUS 93 ANOS : 19 DE DEZEMBRO 2008 -
E não aceito esmola
Do que me foi roubado.
ISBN 978-987-1377-40-4
CDD 615.851 56
Fecha de catalogación: 04/12/2008
Buenos Aires - Argentina

Nasceu na Província de Santa Catarina, em 24 de novembro de 1861.
Filho de escravos alforriados, criado por uma família que muito o estimulou
nos estudos e leitura de bons livros, tornou-se poeta e jornalista.
Em toda sua obra, sempre deixava transparecer a angústia provocada pelo regime escravocrata. Sua poesia, revestida de emoção intensa, na fase inicial refletia o espírito parnasiano.
É considerado o precursor do Movimento Simbolista e um dos maiores poetas da literatura de língua portuguesa e do simbolismo internacional.
Em 1883 foi recusado como promotor de Laguna por ser negro.
No ano de 1885, entrou para o jornalismo, fundando o jornal “ O Moleque”. `